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Três antes dos Trinta

17
Abr19

O fim do capacete da Leonor

Ana Sousa Amorim

Falei aqui e aqui da displasia da anca e da plagiocefalia/braquicefalia da Leonor. Chega-me muita gente ao blogue por causa destes dois temas (os posts são os mais lidos do blogue) e se até agora não me apetecia revisitar o tema porque senti que se terminou é deixá-lo terminado, atrás das costas, reponderei porque achar que pode ajudar muita gente que anda à procura de ler tudo o que consegue sobre isto (e também me facilita para responder a muitos que me perguntam e que não quero deixar sem resposta).

Como referi no post,optámos por colocar o capacete com a Dra. Paula Rodeia no Hospital Lusíadas emLisboa em Julho de 2018 com previsão de tratamento de 4 meses. A Leonor acaboudepois por tirar o capacete em final de Novembro, sendo que tivemos apenas aconsulta de alta em Dezembro.

O início da adaptação foi complicado, mas como três semanas antes tínhamos feito a adaptação ao arnês que foi muito mais dura, olhando para trás noto que nem demos importância ao capacete. Muitos dizem que nos custa mais a nós que a eles e francamente sempre me irritou esta teoria porque ela suava em bica e tinha um ar desesperado muitas das vezes em que lhe tirava o arnês e o capacete. Na verdade, a simultaneidade dos dois tratamentos não ajudou em nada: o arnês obrigava a utilizar uns collants cortados nas pernas o que lhe traziam muito calor e a impediam de suar pelas pernas. Quando colocou o capacete custou-lhe bastante regular esta questão do calor. A Dra. Paula indicou-nos na altura que muitos bebés suavam muito dos pés como compensação daquilo que não podiam expelir pela cabeça e, na verdade, a Leonor ficou privada deste método de autorregulação porque estava sempre com o arnês e os ditos collants o que pode não ter ajudado na adaptação do termostato.

Nós fomosextremamente rigorosos com o tempo de colocação dos aparelhos. Queríamos portudo ter muito sucesso em ambas as condições pelo que nunca vacilámos nashoras, nunca deixámos de pôr o capacete à noite (mesmo implicando não terdescanso, o que sucedeu muitas vezes). Um mês depois da colocação a Leonordesenvolveu um fungo na cabeça (normal com a utilização do capacete,proporcionado pela humidade e calor) e tivemos de retirar o capacete aí unsquatro dias. Pouco depois, voltou a acontecer. Estas questões atrasaram otratamento e também a constatação de mais resultados (que até então tinham sidonotórios).

Em Setembro, aLeonor deixou de usar o arnês e nós deixámos de contar o tempo para tirar ocapacete para não nos desiludirmos mais (pensámos que íamos tirar o arnês umpouco mais cedo do que depois acabou por ser e a semana final custou-nosimenso, a Leonor começou a ganhar muita habilidade em retirá-lo).

Estes últimos meses foram difíceis porque depois de tirar o arnês a miúda quis recuperar o tempo perdido em termos de movimentos e começou a tentar sentar-se, gatinhar, etc. e  via-se que não se conseguia equilibrar decentemente por causa do peso do capacete. Paralelamente, os resultados já eram muito visíveis e a Leonor começava a ficar com muito cabelo o que aumentava a comichão e calor e o momento em que lhe púnhamos o capacete era cada vez mais difícil porque ela lutava contra aquilo. Ela ficou doente várias vezes em Outubro e fez febre pelo que lho tirámos várias vezes (não se pode colocar o capacete quando os bebés têm febre). Cada vez que tínhamos de recomeçar era horrível. Nesta altura, já estava desmotivada. Quinze dias antes da consulta que sabíamos que ia ser a final, eu sentia-me esgotada, sem forças para aquilo. Lembro-me do Pedro chegar várias vezes a casa e perguntar-me porque é que ela não tinha o capacete e eu dizer que não aguentava mais. A verdade é que depois dela ficar de ela fazer mais um episódio de febre, já em meados de Novembro, não lhe voltei a colocar o capacete. No dia da consulta estava muito apreensiva, mas a Dra. Paula confirmou que o desvio estava corrigido (praticamente, ou seja, aquilo que era possível corrigir) e que, não obstante o atraso ao que inicialmente previsto para fazer face às dificuldades que falei, tínhamos chegado ao fim e a Leonor não ia usar nem mais um segundo aquela bodega. Nós dissemos-lhe a verdade, que nos últimos dez dias ela pouco o tinha utilizado e ela disse que tínhamos tido um bom instinto.

Quando saíamos de lávinha uns anos mais nova. Estava farta daquilo, de ver a miúda lutar mesescontra aquilo, contra o arnês, contra tudo. Estava também farta de ter sempreum termo de comparação no irmão gémeo que já gatinhava, já se mexia e até já sequeria pôr em pé e perceber que ela acumulava dificuldades pelas coisas todasporque passou.

Apesar do cansaçotodo, sentia-me (e sinto-me) zero arrependida. Não foi uma decisão fácil. Comoreferi no post anterior, a utilização de ortoses cranianas para a correção daplagiocefalia/braquicefalia não é um método de tratamento que reúna consenso nacomunidade médica. É um tratamento dispendioso. Por tudo isto, pensámos sedeveríamos ou não avançar. Li muito sobre o assunto e vi muita coisa em gruposde facebook sobre a matéria. Muitos há que são da opinião de que passa com otempo ou que a osteopatia é a solução. Perante a opção de deixar que o tempodissesse que não passava e ver que a osteopatia não resultava, preferimosavançar até porque tínhamos uma janela de tempo para o fazer. Não nosarrependemos.

Este sucesso donosso caso e não arrependimento não mancha qualquer outro percurso que outrostenham feito com sucesso, simplesmente é o nosso. Eu não posso aconselharninguém a avançar ou não com isto, a única coisa que me leva a escrever isto éque com o relato da nossa experiência alguém se identifique e se sintaminimamente «aconchegado» de se saber acompanhado.

Nunca tivemosexpetativas de que a Leonor ficasse com a cabeça completamente redonda como oirmão tem (o Pedro diz que o Duarte é uma Lua Cheia porque ele é uma bolaperfeita ;)), sabíamos que ela teria sempre um desvio, mas notámos francasdiferenças e pelo menos na face já não se nota (antes de colocar o capacete, aLeonor tinha o desvio visível na linha dos olhos).

Uma última nota parafalar do Seguro de Saúde: o nosso seguro de saúde não cobriu NADA da colocaçãodo capacete, foi inteiramente suportada por nós. O Seguro tinha era protocolorelativo às consultas (ficavam a 15€/consulta, sendo que o preço sem seguro erade 80€/consulta) e fomos, no total, a 9 consultas (excluindo a da colocação quenão é cobrada).

A todos os que estãoa passar por isto, força, eu sei que às vezes não ajuda nada, mas há muito piore isto ultrapassa-se com perseverança. Eu sei que em parte moldou o feitiodela, e a experiência com os dois tratamento afetou muito o padrão de sono, masjá passou. Algures no futuro, estes cinco meses não vão representar nada emtermos de tempo. Até a gravidez foi maior :)

Atodos os que me perguntaram se ela era deficiente, se tinha problemas e que meaconselharam a não lhe tirar fotos com capacete sem sequer me conhecerem delado nenhum: vão à merda. Aprendam a lidar com a diferença. Isto não é nada emesmo assim senti na pele as dificuldades da diferença porque é muito vistoso.Não imagino o que determinadas famílias passam. A minha vénia a todos.

24
Ago18

Marias Bitaites — Twin's Edition

Ana Sousa Amorim

Então e as Marias Bitaites aumentam ou diminuem com gémeos?

Acertaram: aumentam! E são mais simpáticas ou prestáveis? Não, no geral são acometidas pelo mesmo grau de falta de sentido das restantes.

Vamos a isso: Marias Bitaites — Twin's Edition:

A obcecada com a ideia de que toda a gente quer ter um menino e uma menina«Ai são um casal? Acertou mesmo!»E agora: digo, não digo, digo, não digo? Será que se lhe disser já tenho um rapaz era vai achar que lixei as contas de boys vs. girls e obriga-me a tentar a segunda menina para equilibrar isto? Aiii, gente, isto de ter filhos é uma corrida para a composição de famílias com o mesmo número pessoas de cada género e eu não sabia…. A que acha que as gravidezes gemelares entram na definição de catástrofe«Está grávida de gémeos? Ai que horror.»Foi o que o primeiro espermatozóide que encontrou um óvulo disse quando percebeu que havia mais um. É que passou a vidinha a dizer que era só um óvulo e que ganhava quem chegasse primeiro, "and there can be only oooone" gritava ele no aquecimento, e vai-se a ver havia prémio para o segundo também e uma pessoa fica com o discurso motivacional estragado. A que gosta de levantar o astral«Olhe era pior uma doença!»Tem dias que trocava bem uma constipaçãozita daquelas que é só ranho pelo coro dos pequenos cantores quando estão com a nena, mas não diga a ninguém. A que teve quase-gémeos«Eu sei o trabalho que dá, eu não tenho gémeos, mas tenho quase gémeos que eles têm muito pouca diferença, não chega a dois anos.»É, de facto é a mesma merda. Eles tinham que mamar ao mesmo tempo e fizeram a introdução alimentar ao mesmo tempo, não foi? São gémeos, mas falta-lhes qualquer coisa, deixa cá ver se descubro o que é: SEREM GÉMEOS. A que sabe tudo sobre gémeos porque conheceu uns em 1985«Aquilo de os gémeos se darem bem é falso, sabia? Eu tinha uns colegas na turma que eram gémeos e não se podiam, andavam sempre à bulha.»Eu também tinha uma colega com olhos verdes na turma que era badalhoca, if you know what I mean. A poupadinha que não sabe fazer contas«Olhe deixe lá, sempre poupa, assim é tudo ao mesmo tempo.»Sim, temos poupado imenso: cinema, fins-de-semana fora, jantares fora e, claro, sono, afinal tínhamos imenso em dia então agora cortámos nisso.(Pessoas, com gémeos não se poupa nada sem ser a gravidez! Não dá para poupar leite, fraldas, roupa, carrinho, cadeiras do carro, PORRA NENHUMA. Nem na paciência dá para poupar, continuo sem pacienciazinha para parvoíce, vejam lá!) A que chumbou a estudo do meio «— Ah são iguais?— Não.— Então não são gémeos!»Pois não. Os gajos lá da maternidade disseram-me isso, mas eu disse logo para o meu Manel, olha, homem, eles não são nada iguais e ainda por cima são menino e menina, são lá agora gémeos, prefavor. Além disso, há dias uma senhora no minipreço também me disse o mesmo. A geneticista de trazer por casa«Os meus também dizem que são gémeos porque são muito parecidos.»Sim, também ouvi dizer que São Paulo é cidade gémea de Coimbra. Say whaaaat? A inspectora-geral de viação gemelar«Ai este carro é frente a frente, porque é que não tem um lado a lado? São tão mais giros, assim podíamos ver os meninos.»Ai, mas onde é que estava esta Doutorada em Puericultura quando eu precisei dela, heim? Olha, querida, comprei este PORQUE DEPOIS DE MEDIR A PORTA DE CASA, A PORTA DO ELEVADOR, O ESPAÇO NA MALA E A MINHA CARTEIRA FOI O QUE DEU. A twin dreamer«Sempre quis ter gémeos, sempre. Sempre mesmo desde pequenina que tinha duas bonecas e tudo e dizia que eram as minhas gémeas, a sério, queria tanto.»Não vou dar ‘tá? A que não cala a puta da boca«Ai que giro, que giro, gémeos, sabe, olhe, deixe-me dizer-lhe, eu tenho uma prima em terceiro grau da parte do meu avô paterno que também tem e é um máximo. Isto foi assim, ela não conseguia ter filhos, fez imensos tratamentos e nada. Então, depois, naturalmente, sem tratamento, ela fica grávida. Muita felicidade, mas também cheia de medo que isto depois uma pessoa entretanto já tem idade e mais que idade e não é para ter filhos, está a ver? Então vai e faz a ecografia e tudo bem, a médica não diz nada. Então vai e faz a segunda eco ou terceira, ai já não me lembro, mas pronto, foi fazer outra eco e faz e descobre que são dois. E toda a gente acha que é por causa dos tratamentos, mas não é, é porque corre na família, a avó da nossa bisavó também tinha tido e diz que salta uma geração por século! Eu também podia ter tido, mas pronto calhou-lhe a ela. São mesmo giros os dois bebés. É....»Por favor, porque é que eles não choram quando uma pessoa precisa? Juro, esta gaja diz mais uma palavra que seja e eu belisco a Leonor de propósito, a sério, desculpa, miúda, mas já me morreu um neurónio desde o início desta conversa. A sensorial «Eles sentem as coisas ao mesmo tempo?»Sim. Há dias o irmão mais velho atirou um brinquedo ao ar e ambos choraram quando lhes caiu em cima. Eu fiquei tão emocionada e disse logo pó meu marido: «GÉMEOS, ELES SENTEM TUDO AO MESMO TEMPO. AI CA LINDO». A detective de infertilidade«Então e são naturais?»Não. São sintéticos. Eu até sou pelo biológico, juro que sou, mas era tão mais caro... não dava mesmo. Então disse, vai do sintético, é plástico, mas pronto, também é plástico de longa duração, faz menos mal ao ambiente.
13
Ago18

Quando a vida tem outros planos para os planos que tinha para a vida

Ana Sousa Amorim

Comecei a escrever o blogue porque quando engravidei dos gémeos tive medo e fiquei em pânico e não encontrei nada que me falasse a verdade. Leio muitos blogues, não lia muita coisa sobre maternidade, mas passei a ler desde que tive o Gonçalo e quando procurei como orientar uma casa com três bebés maioritariamente só via coisas lindas e textos enormes como a ligação dos irmãos é óptima. Não lia o que está por detrás das fotos lindas, a vontade de fugir e a verdade sobre gravidezes não planeadas. Depois criei o blogue e na dúvida de assumir ou não quem era, decidi mostrá-lo a toda a gente e agora tenho pudor de escrever determinadas coisas porque a grande maioria dos que me lê, conhece-me. Bastou-me contar a minha história e dizer que a gravidez dos gémeos não foi sequer planeada e que chorei quando os soube a crescer dentro de mim sem pedir licença para aparecer logo quem me dissesse que não devia dizer isso, que parecia mal. Pode parecer mal, mas ter um filho não planeado não é a mesma coisa do que ter um filho planeado. Não, não estou a dizer que se ama diferente, estou só a dizer que não é a mesma coisa. Ter gémeos não planeados com um filho com pouco mais de um ano, não é a mesma coisa que ter um filho planeado. Eu gostava de ter lido isto, por isso é que o escrevo. Hoje sei que chorei porque os amei assim que soube. Hoje sei que foi medo de não lhes poder dar tudo o que um filho meu merece. Filho meu não chora para se habituar e não fica na cama a gritar porque tem que aprender a dormir sozinho. Filho meu tem colo, tem mimo, tem leite, tem sestas ao colo e namoro de final de dia. Uma para dois, para três.

Foi de dias como hoje de que tive medo. Dias em que só parecem querer chorar, que tenho que ir tomar banho e fechar a porta para não os ouvir chorar se acordarem porque se os ouvir sairei mais uma vez a correr, molhada, a escorregar pelo chão, a pingar o soalho que depois terei que limpar, para pôr a chucha, ou acabar a trocar a fralda enrolada na toalha, não, fecho a porta, não demoro mais de 5 minutos, se chorarem choram 5 minutos, mas tem que ser, eu preciso de um banho, eu vou ficar louca. Foi destes dias de que tive medo, de deixar o cansaço vencer, de deixar chorar, não para se habituar, não para aprender, mas para esperar. E foi das noites como de anteontem, em que todos choravam, todos queriam colo e mimo. E foi das escolhas de todas as noites, do shiii por favor não acordes o teu irmão, em que a abanamos a cama, em que corremos para a sala, o mais longe para os irmãos não acordarem, não acordes os teus irmãos por favor, por favor. Ou de quando dou por mim a pedir a bebés um segundo, por favor eu só quero um segundo para acabar isto, ou quando abano a espreguiçadeira com mais força e tenho que me afastar e respirar e lembrar-me de que tu és bebé, tu não sabes, tu não tens culpa. As mães têm que ter colo sempre para os seus bebés, tem que aproveitar que eles crescem e depois não a querem, mas foi desta vontade de os ver grandes sem me quererem de que tive medo. Foi desta vontade absurda de dormir de que tive medo. Foi desta vontade de mandar tudo e todos à merda e fugir de que tive medo.

Mas aquilo que não li e hoje sei é que basta respirar fundo, um segundo de silêncio de todos,  reenquadrar e tudo fica mais fácil. Não acredito em Deus, mas acredito no carma. Não acredito em Deus, mas quando o Duarte nasceu sem respirar, naqueles segundos que pareceram horas de tortura prometi que se ficasse tudo bem e se os tivesse todos bem, seria tão sã quanto uma mulher, quanto uma mãe, consegue ser, e nunca me queixaria. Sabia bem que me queixaria, mas nunca a sério, nunca a sério. Prometi e prometo todos os dias em que grito que só quero um segundo e que fujo para o banho.

A todas as que procuram saber como é ter filhos não planeados: não é a mesma coisa que ter um filho planeado, não é. Mas não é mau. Tive medo de olhar para eles e culpá-los de me tirarem tempo do Gonçalo, tive medo de desejar que eles não existissem. Mas nunca os culpo, e já não há um mundo em que eles não existam. Às vezes penso "porque não esperaram mais um ano?" e outras em que lhes pergunto se não podiam ter vindo um de cada vez. E quando acordo de hora a hora à noite ou quanto tenho que adormecer com brown noises para poder dormir senão tenho o coro dos pequenos cantores, mas em mau, também não consigo ser positiva, mas a verdade é que tomo sempre banho a correr. Mesmo quando fecho a porta, tomo banho a correr. Mesmo quando digo, chega, nunca chega, nunca acho o off deste botão de lhes querer bem, de os querer com o melhor.

Esta gravidez não planeada foi a vida a borrifar-se na minha agenda e a fazer planos por mim. E, repito, não é mau. Nos últimos meses descobri uma mulher que não imaginava ter dentro de mim, descobri uma força que não conhecia e acho que cheguei a uma espectacular fase da vida em que verdadeiramente estou-me cagando para o que outros pensam e para o que deve ser. Quando planeei tudo planeei que ele só teria o melhor. O melhor é não ver televisão antes dos dois, é só fazer jogos didáticos, é brincar com a terra, ter contacto com a natureza. Mas depois chove e o shopping é fixe que não chove lá dentro e a Masha o Urso cala-o. Então fiz o que não deve ser, mas culpada, sempre com a carregar a mala da culpa, sempre em pensar que não era o melhor. E depois vieram os gémeos, aquele descuido que virou acontecimento, aquele não plano que virou evento. E eu descobri-me. Na loucura, no caos, apareceu a Ana, a mãe. Que sabe que não devem ver ecrãs antes dos 2 anos, mas que também acha que é melhor lanchar antes de tratar deles e por isso sim, eles vão ver patrulha pata para ficarem calados, dez minutos enquanto lancho. Porque se lanchar, serei melhor. Se lanchar brinco com eles na muda da fralda, se tiver fome vou fazer tudo a correr e deitar tudo a perder. No fundo é igual, mas sem culpa. No fundo, faço igual, mas com desculpa. No fundo, desespero tanto quanto desesperei antes, mas agora já sei.

Se tens uma gravidez não planeada lê isto e sabe que talvez alguns dos teus piores medos se concretizem. Outros nunca. Respira fundo, todos os dias e depois arregaça as mangas. Nunca me esqueço do que abdiquei e abdico todos os dias por eles, mas todos os dias tomo de novo essa decisão de consciência. Talvez fique mais fácil. Agora não é fácil, mas não é mau. Agora não é fácil, mas nunca é impossível. E todos os dias é bom. Todos os dias é muito bom. Não foram um plano, mas são uma vida.

 

[Este texto tem quase três meses, deixei-o a marinar para só o publicar quando tudo ficasse melhor. Hoje está tudo melhor. Hoje não foi um dia mau. Ou eu é que já não estou mal.]

20
Jul18

Leonor, a motard

Ana Sousa Amorim

Como disse aqui, a Nonô tem uma plagiocefalia e braquicefalia diagnosticadas desde os 2 meses.

Ambas são deformações do crânio. No caso da Leonor são posicionais, ou seja, resultam da posição que a Leonor adoptou no útero e que depois tentou manter o que a levou a ficar com a cabeça torta.

A plagiocefalia é o desvio lateral da cabeça e a braquicefalia é o achatamento da parte de trás da cabeça.

O diagnóstico foi feito aos 2 meses na Unidade de Intervenção Precoce da Maternidade Bissaya Barreto onde os gémeos são seguidos por terem estado na UCIN. Nós não reparámos, quando percebemos ficámos chocados como é que não tínhamos visto antes. Costumam ser os pais a reparar no diferente formato da cabeça, mas no nosso caso isso não aconteceu. É inevitável não nos sentirmos culpados por não termos visto antes.

Desde então tudo tem sido um caminho longo e foi precisamente a fazer uma ecografia de rastreio para levar tudo certo a um especialista que se detectou a displasia da anca.

Tentámos muito não ter que chegar a esta fase, mas o desvio da Leonor é grande e a opinião médica é que agora só é corrigível com o uso de capacete (banda ortopédica).

Fomos colocá-lo a semana passada. Em princípio terá que usar cerca de 4 meses.

Alerta: esta é a história da Leonor, é o que faz sentido para a Leonor e é o caminho que nós achamos que funcionará para ela. Nem todas as situações são iguais e nem todas as coisas funcionam em todas as crianças. Tenham paciência com a minha falta de paciência, mas não me chateiem com a história da prima da Josefina que também tinha isto e foi só mudar o berço de lugar e pôr uma almofada que ficou boa e não me digam que isto é exagerado porque mais ninguém sem sermos nós conhece a situação em profundidade.

Aprendi alguma coisa com a partilha da displasia da anca da Leonor - há poucos artigos de blogues a falar sobre isto. Tive muita gente a chegar ao blogue por causa dos outros textos (são os mais lidos), por isso já sei que a questão da plagiocefalia também irá trazer algumas pessoas que passam pelo mesmo.

Por isso e porque senti falta de testemunhos transparentes e completos na busca:

  • A plagiocefalia, como disse, é uma deformação craniana e agora é mais comum devido à posição aconselhada para dormir (de barriga para cima) para evitar o Síndrome da Morte Súbita do Lactente. Este site tem imensa informação sobre a plagiocefalia e outras deformações e foi-me aconselhado pelo pediatra, pelo que acho que é uma fonte segura.
  • Assim que tivemos o diagnóstico, aos 2 meses, começámos a usar a Almofada Mimos - uma almofada prescrita para estes casos e que faz prevenção das deformações. Notámos melhoria na posição, mas notámos também que a Leonor tinha aversão à almofada, tentava — dentro dos limites do que conseguia — ver-se livre da mesma. Paralelamente, trocámos o berço e começámos a tentar contrariar-lhe a posição. Sempre que podia, ou seja, sempre que estava capaz de a vigiar, colocava-a a dormir de barriga para baixo.
  • Aos 4 meses, sem melhorias, falámos com o pediatra e perguntámos se não seria melhor consultar uma fisioterapeuta para despistar o torcicolo congénito. Eu havia lido sobre isso e notava que havia mesmo muita resistência da Leonor em virar para um lado: apesar de lhe termos mudado a berço, por exemplo, ela continuava sempre virada para o mesmo lado (mesmo que implicasse olhar para a parede). O pediatra concordou.
  • Fomos então a uma Fisioterapeuta que nos deu boas e más notícias. Boas: não era torcicolo congénito. Más: apesar de entender que com exercício a plagiocefalia diminuiria bastante, informou-nos que era a sua opinião que não seria suficiente, o grau de deformação da cabeça da Leonor talvez só fosse corrigido com a utilização de um capacete.
  • A fisioterapeuta disse-nos algo que já havíamos lido em muito lado: a questão da deformação é apenas estética. Depois, viemos a confirmar que talvez não seja só estética, mas este é um ponto importante. Aqui chegados, sabendo que a fisioterapia (e a osteopatia, tantas vezes recomendada nestas situações) não seria suficiente para tratar totalmente o desvio, ponderámos imediatamente a colocação do capacete e a consulta de um especialista. Acabámos por aguardar pela consulta seguinte com o pediatra para nos indicar melhor o caminho.
  • Entretanto, fiz pesquisa. Encontrei o grupo de facebook Plagiocefalia Portugal, fiz umas perguntas, falei com uma amiga de uma amiga que também passou por isto e comecei a tentar perceber o panorama. A colocação do capacete para tratamento da plagiocefalia não é feita no sistema nacional de saúde, o que significa que tem que ser suportada pelos pais. Por um lado, porque se entende que o problema é apenas estético, por outro, porque nem todos os especialistas lhe reconhecem eficácia. Não há muitos sítios a fazerem a colocação e parece-me que existem duas grandes opções: colocar em centros ortopédicos, em que não são médicos que colocam, mas sim técnicos de ortopedia, e junto de médicos especialistas. Da minha investigação, existem dois centros ortopédicos que se destacaram: um em Braga (que contactei e que me indicaram que faziam os capacetes por scan) e em Lisboa. Em ambos a colocação do capacete ficava entre 800 € e 1000 €. Em relação à colocação do capacete por um médico, obtive contactos de dois especialistas: o Dr. Joan Pyniot, um médico espanhol que dá consultas no Porto, e a Dra. Paula Rodeia, que dá consultas em Lisboa, nos Hospital Lusíadas. Os valores de que nos falaram relativamente ao capacete no Dr. Joan Pyniot rodam os 3700 €, que não sei se incluem consultas, ao passo que os valores do capacete da Dra. Paula Rodeia são de 2750 € mais consultas.
  • Chegada à consulta do pediatra, ele, com algum receio de que fosse algo mais do que uma plagiocefalia, aconselhou-nos a ir à Dra. Paula Rodeia, uma vez que é neurocirurgiã. O pediatra queria certificar-se que a assimetria não se devia antes a uma craniossinostose (que é o enceramento precoce das suturas do crânio condição que não é tratável com o uso do capacete, mas sim com cirurgia).
  • Por esta altura ficámos um pouco em pânico e se até aí estávamos nervosos com a questão do capacete, a hipótese de ter que ser operada pôs tudo em perspectiva e ficámos ansiosos por despistar esta questão.
  • Fomos então a uma consulta com a Dra. Paula Rodeia que nos confirmou ser uma plagiocefalia, com uma assimetria que tanto pela idade da bebé e pelos efeitos nas orelhas e olhos só seria remediável com a utilização de capacete. Quando perguntámos pelas consequências de não avançar já para a utilização do capacete e pensar em tentar outros métodos a Dra. Paula alertou-nos que atendendo ao grau de plagiocefalia da Leonor e à idade dela que se esperássemos muito mais seria mais difícil de corrigir.
  • Quanto à questão estética, a Dra. Paula informou-nos que a plagiocefalia tem consequência não gravosas, mas com efeitos na articulação do queixo e no alinhamento dos olhos, bem como o aumento da frequência de otites e enxaquecas. Nós achamos que isto faz sentido, mas mesmo que fosse apenas estético quereríamos avançar. A questão estética é mais importante do que nos foram indicando, muitos desvalorizaram com o facto de ser menina e depois poder usar o cabelo comprido, mas a verdade é que se for uma questão importante para a Leonor no futuro não a poderia corrigir. A assimetria só é corrigível enquanto as suturas não estão encerradas, pelo que depois destes primeiros anos de vida é impossível.
  • Assim, decidimos avançar. Escolhemos continuar com a Dra. Paula porque gostámos do atendimento e achámos que estávamos bem entregues. A verdade é que é muito dinheiro e ponderámos ir a um centro ortopédico de que nos haviam falado bem, mas como precisámos de ir à Dra. Paula para despistar a outra coisa, depois achámos que fazia sentido continuarmos com ela.
  • Depois de decidirmos, marcámos consulta para fazer o scan para o capacete. Correu muito bem, distraímos a Nônô com vídeos no telemóvel enquanto a Dra. Paula fazia o scan. Cerca de dez dias depois fomos colocar o capacete.
  • Ao contrário do arnês, cuja adaptação foi à bruta, uma vez posto não poderíamos mais tirar, a adaptação ao capacete foi gradual: no primeiro dia tinha uma hora com e outra sem, no segundo dia duas horas com e outra sem, no quarto dia quatro horas com e uma sem. Só ao terceiro dia é que dormiu sesta com o capacete e apenas na quinta noite é que dormiu com o capacete. Adaptámos o esquema um pouco às nossas necessidades e alargámos o período de adaptação, mas passado uma semana da colocação a Leonor já estava com a utilização normal: apenas retira uma hora por dia para tomar banho. Neste momento já passaram quase duas semanas e acho que ela ainda está a combater aquilo. Não acho que lhe doa (não chora), mas causa-lhe calor e comichão. Nota-se mais até quando não o tem colocado. Aproveita para se coçar e arranha-se toda.
  • As consultas de manutenção são quinzenais ou mensais dependendo da situação e pagam-se à parte do capacete. No nosso caso, como temos seguro de saúde, ficam apenas a 15 € por consulta, mas sei que, caso não exista convenção, são a 80 € (85 € a primeira consulta).
  • O tratamento, no nosso caso, será de 4 meses.
  • No total é um tratamento dispendioso. Tenho noção que infelizmente não é acessível a todos. Não tivemos problemas em recorrer a poupanças para o fazermos porque achamos que é importante, sei de famílias que recorreram a um crédito ao consumo para o fazerem. É duro, é inegável que é um factor de ponderação, mas é o que tem que ser.
  • Ir a Lisboa às consultas é chato, implica uma logística tramada, acresce nos nossos custos, mas também não tínhamos outra hipótese. Em Coimbra não há quem faça isto e o especialista do Porto, além de não nos ter sido tão recomendado, é mais caro.
Como isto é um tratamento caro, é muito complicado encontrar quem o tenha feito que abra o jogo e diga preços e afins, é o motivo pelo qual o faço aqui.

O que eu gostava de ter sabido antes: é possível os miúdos nascerem com a cabeça torta e é importante irmos olhando bem para isso. Se existir a posição preferencial do bebé é importante contrariar logo desde o início para não criar assimetria e para isso é crucial a utilização da almofada Mimos logo que desconfiem da assimetria. Também acho importante procurar um especialista o quanto antes e ter noção que o tempo é importante neste tipo de tratamento.

O conselho que daria a mim própria e que pode ou não servir a outros: mandar à fava quem diz que é só estético, que não vê a diferença, que se calhar é excesso de zelo e que isso com três rezas à Nossa Senhora do Iemanjá e um pino passa.

08
Jul18

Férias sem filhos vs Férias com filhos

Ana Sousa Amorim
Orçamento sem filhos: X. É muito dinheiro, mas viajar é a coisa que gostamos mais de fazer e é um tudo incluído.Orçamento com filhos: X. Porra, temos que ir em Setembro, com este dinheiro não dá para mais. Bolas, não dá para um hotel porque como somos 5 tínhamos de pagar dois quartos, então temos de arrendar uma casa. E ainda temos de gastar mais em alimentação. Vai ser apertado, não podemos comer fora nem um dia que seja.O dia sem filhos: Acordar sem despertador, mas cedo porque gostamos de aproveitar o dia inteiro de praia, aí entre as 8h e 9h e ir tomar o pequeno-almoço com calma, sem pressas. Depois de beber um café, espreitar as notícias do dia e seguir para a praia. Escolher o chapéu, estender a toalha, e começar o dia de decisões: Vou primeiro à água ou leio um pouco? Oiço música ou passeio à beira-mar? Seco à sombra ou será que já posso secar ao sol? Bebo um cocktail ou mais uma cerveja? Vou ao mar no final deste parágrafo ou no final deste capítulo? Será que já estou morena o suficiente para pôr fato-de-banho ou continuo a usar bikini para ficar sem marcas?O dia com filhos: Tic tac, motherfucker, são 7 da manhã e já está tudo de pé. Biberões para os gémeos e pequeno-almoço para o Gonçalo e rápido que eles parece que já estão capazes de matar cachorro a grito. Comer a torrada que ficou mais queimada com um bocado de manteiga e começar a pôr cremes. Felizmente preparámos o saco na noite anterior, agora é só pegar e arrancar. É *só* pegar no saco das toalhas de praia, no chapéu, no saco dos brinquedos, no saco da muda de fraldas, na carteira, colocá-los no carrinho e estamos prontos a sair. Sair. Saí daí, Gonçalo, não coloques isso na boca, pará, anda, por favor, vamos para a praia, não queres ir à praia, anda lá, pára, santa paciência, anda lá, estamos quase a chegar, por favor. Duarte, não te mandes do carro. Leonor, está sol pára de pôr a capota para baixo porque tu és muito branquinha, anda lá, pára, eu sei que queres brincar ao esconde-esconde, mas estão 30.º graus, por favor, pára. Gonçalo, o que é que disse? Anda lá, já chegámos. Montar o chapéu. Gonçalo, pára de chorar, eu sei que tens areia nos pés, estás na praia o que é que querias? Tudo na toalha, estejam quietos, andem lá, só dois segundos, deixem a mãe tirar a roupa. Quem é que quer ir à água? Yeeah. Olha que giro, isto até é giro. Ai espera, tenho que voltar à toalha, esqueci-me das bóias. Gonçalo, pára, por amor da santa, está quieto dois segundos da tua vida para eu te pôr a porra da bóia ou juro que te deixo beber dois pirulitos para veres o que é bom para a tosse. Ai a porra do deus da parentalidade positiva ou consciente, ou lá o que é, que não me ajuda, põe a bóia, anda lá, vês, já está porque é que não tens calma? Ok. Estamos na água, fixe, está bom. Porque é que estás a chorar? Está fria, é? Ok, vamos para a toalha. Toalha. Toalha. EU DISSE TOALHA. Agora estás todo croquete, eu não disse que era na toalha? Porra. Ufa. Olha, agora que eles parecem estar todos quietos vai buscar uma cerveja para nós. São dez, o bar ainda não abriu. O quê? São só dez? F*da-se.A noite sem filhos: Vamos jantar ao argentino? Ou ao mexicano? E depois queres ver um filme para o quarto ou beber uns copos no bar do hotel? E amanhã vamos dançar?A noite com filhos: Fazer jantar. Dar jantar. Jantar enquanto eles se engalfinham. Historinha e adormecê-los. Olha que bem, a vantagem é que eles ficam muito cansados com a praia e assim adormecem logo e agora podemos curtir aqui este alpendre. Olha, queres ler um bocado ou aproveitar para ver um filme? Baby? Baby? Baby, vai para cama, sempre dormes melhor que aí na cadeira.Regresso sem filhos: Que merda. As férias são tão curtas. Amanhã já trabalho, que dor.Regresso com filhos: NUNCA MAIS. AMANHÃ JÁ TRABALHO, YEAAAAAAAAAAAAAAH. 

03
Jul18

Update Leonor e a displasia

Ana Sousa Amorim

A Nônô já se adaptou ao arnês. Demorou um pouco mais que o normal, mas adaptou-se. Agora sinto que voltou a ela (para bem de todos cá em casa, que a coisa andava muito, muito desregulada). Voltou a dormir praticamente a noite toda e a adormecer sozinha.

Acho que também ajuda o facto de ter ficado mais fresco, o arnês ainda lhe causa algum calor e com a descida de temperatura ficou mais fácil.

Já tenho a cadeira da displasia cedida pela BebéConfort. Contactei directamente a marca e foram muito simpáticos, mandaram entregá-la na loja Bybebe em Coimbra. Aconselho a quem precise (que seja de Coimbra) a contactar directamente a loja, pois o atendimento é fantástico e fazem o pedido por nós se preciso. Gosto mesmo do atendimento desta loja e é o que me faz voltar sempre lá (instalaram-me a cadeira no carro, sem ganharem absolutamente nada com este serviço que é providenciado directamente pela Bebéconfort). A cadeira é basicamente uma cadeira normal sem os apoios de lado, para que a bebé possa estar sentada de pernas abertas.

Recebi uma dica preciosa de uma mãe que está a passar o mesmo que eu que me disse para colocar uma almofada por debaixo da Leonor para a aconchegar mais e a verdade é que foi desde esse momento que ela ficou melhor. É uma almofada com pouca altura que tinha no sofá da sala e à qual coloquei uma fronha normal de linho e ponho-a por baixo dela, nas costas, deixando o rabinho e as pernas de fora da almofada.

Quando fez quinze dias que tinha colocado a tala, fomos à consulta e foi muito animador: já se notava resultados, a evolução estava a ser fantástica e a continuar assim poderemos não precisar de ter tanto tempo como inicialmente previsto. Agora é só ter paciência e logo logo ela estará boa.

Obrigada a todos que se preocuparam e que nos desejaram o melhor, estou certa que esta boa energia foi essencial!

21
Jun18

Ainda sobre a displasia da anca da Nônô

Ana Sousa Amorim

Eu sei que isto é estranho e contraditório vindo de quem tem um blogue e de quem gosta de ser lida, mas debato-me muitas vezes com esta questão da exposição da vida íntima, essencialmente porque a maioria das pessoas acha que sou só o que aqui ponho e não compreende que há muito mais para além disto, das redes sociais, daquilo que digo e que nossa vida tem milhentas dimensões que ninguém conhece. Geralmente passa-me, mas sempre que são temas mais sensíveis demoro um pouco a decidir escrever sobre eles.

Ponderei nem escrever sobre a displasia da Leonor e simplesmente desaparecer de cena até me apetecer. Mas felizmente não o fiz porque choveram dicas, perguntas e histórias de sucesso. E claro, muito amor, doses industriais de força, que se antes de virem pensaria que não servem de nada, quando as recebi ajudaram-me muito a ter força para continuar. Obrigada a todos.

Houve muita coisa que não disse e não tenho aspirações a tornar-me uma bíblia da displasia pois não sei o suficiente, mas pode vir cá parar alguém que acabou de entrar neste mundo e esteja à procura de informações, por isso deixo as seguintes notas:

  • A Leonor tem uma sub-luxação da anca direita, o que, segundo a minha compreensão totalmente não científica da coisa, é a variante menos grave da displasia, daí não ser detectável no exame físico. A displasia da anca tem diversas «modalidades» que obviamente necessitam de tratamentos diferenciados (há outro tipo de talas e há bebés que precisam de cirurgia logo). Se precisarem, aconselho a procurarem mais informações na internet com o habitual cuidado que é necessário para verificar fontes (aconselho, por exemplo, este site do International Hip Dysplasia Institute).
  • Existe um grupo de Facebook em português (Bebés com Displasia Congénita da Anca) no qual muitas pessoas partilham a sua história e onde partilham também dicas e truques que podem ajudar alguns.
  • Segundo indicações da médica e do técnico que seguem a Leonor, a tala tem de estar colocada 24h por dia e podemos tirar para o banho 10 minutos 3 vezes por semana. Pelo que percebi, a maioria dos casos é assim, a tala é para estar permanentemente, mas também já li de bebés que podiam estar algum tempo sem a tala. Dependerá, claro, do grau da displasia e do tratamento que o médico prescreve.
  • Foi-nos dito que o tratamento duraria entre 14 a 16 semanas, mas que atendendo à idade da Leonor (este tipo de coisas tem mais sucesso quando diagnosticadas mais cedo) deveríamos contar com as 16 semanas.
  • Os bebés reagem todos de forma diferente e explicaram-nos que a Leonor iria recusar a tala e mostrar o seu desconforto para a tirar. Mais de uma semana depois, ela não mostra sinais de se ter habituado e eu já lhe tirei aquilo mais tempo do que devia porque simplesmente não aguento. É muito difícil, temos de ser fortes e voltar a colocar, aturar o desconforto e esperar que melhore. Muitos me dizem que nos custa mais a nós, que eles se habituam rápido, e com sinceridade eu estou mais que mentalizada e já arranjei soluções para tudo, só preciso que ela pare de lutar contra aquilo e que deixe de chorar por uma ajuda que eu não lhe posso dar.
  • Calças, collants, calções e tudo o que lhe possa de alguma maneira impossibilitar o movimento nas pernas está proibido. Inicialmente isto parece complicado, eu já me habituei completamente à ideia e não vejo problema nenhum. O aparelho tem duas botas com fitas que ligam ao colete e porque acho que não é bom ela ter as fitas em contacto com a pele, por baixo, usamos collants cortados (ficam basicamente duas meias longas). No Inverno, presumo que seja mais difícil de os ver de fralda à mostra, mas sinceramente o calor de ter os collants parece-me pior. Para o frio, tapa-se. Para o calor é difícil ter outra solução. Na parte de cima o ideal é usar algo com gola para que as alças do colete não aleijem no pescoço e com manga curta (coloquei um vestido de cavas e arrependi-me porque o colete entrou em contacto com a pele por baixo dos braços e ela ficou vermelha). Para nós funcionam bodies com gola e vestidos com gola. Custa-me ver toda a roupa gira que a Leonor tinha para o Verão e não vai usar, mas perdi apenas cerca de 10 segundos com esta tristeza, na verdade, não acho nenhum drama. Quando tiver a anca boa tem muito tempo para roupas lindas.
  • Imaginei que mudar a fralda fosse um drama, mas não é, na realidade, depois de habituada, demora-se exactamente o mesmo tempo. Para os cocós até dá mais jeito porque não é preciso segurar-lhe nas pernas para ela não as enfiar na fralda (há sempre coisas positivas).
  • Fomos avisados que há miúdos que começam a comer pior fruto do desconforto. Está a acontecer-nos isso. A Leonor nos primeiros dias vomitava com o choro, ficava de tal forma aflita que mandava tudo cá para fora. Vi a minha vida a andar para trás porque ela foi internada aqui há uns meses com uma bronquiolite precisamente por estar a fazer recusa alimentar… Depois lá começou a aceitar, mas no cômputo geral eu diria que está a comer 3/5 do habitual. Eu consigo colocá-la na cadeira da papa assim, ela fica com as pernas mais dobradas, mas, o conselho do técnico foi que a refeição deveria ser dada como costume, mesmo que a posição não seja a mais correcta, para não perturbar ainda mais a alimentação. A nossa cadeira da papa é a do Ikea, e eu coloco-a mesmo junto à ponta de forma a que as pernas fiquem o mais abertas possível.
  • A posição ideal é deitada de barriga para cima (posição frango assado). Perguntei ao técnico e, desde que não se coloque nada debaixo dos joelhos, não há problema de pôr algo debaixo dos pés. Eu tenho colocado umas almofadas para que não fique com as pernas tão em suspensão, mas sinceramente não noto que ela fique mais confortável, o rezinganço continua.
  • O colo tem de ser dado de frente, com ela de pernas abertas para nós ou de lado, poisada na nossa anca. A ideia é, mais uma vez, promover a abertura das pernas.
  • São fortemente aconselhadas as mochilas ergonómicas. Nós já tínhamos uma (manduca) e desde que ela colocou isto tenho passeado muito com ela lá. Ela adormece e já a tentei poisar depois e ela fica, mas passado dez/vinte minutos, volta a acordar. Claro que posso passar o tempo todo com ela lá, mas eu tenho mais dois filhos e por isso é que não ando mais com ela lá e tento por tudo que ela durma sem mim. Estou certa que se a Leonor fosse filha única seria a nossa grande solução para tudo. Atenção que a mochila tem de ser ergonómica (nem todas são) e os bebés têm de estar virados para nós. Virados para a frente (em babywearing ou ao colo) os bebés tendem a fechar as pernas, pelo que não é uma posição aconselhável. Vejam mais sobre babywearing, se precisarem. ATENÇÃO: O babywearing é óptimo para a displasia da anca, para minimizar os desconfortos do tratamento porque não são necessárias adaptações, pois a sua forma normal já promove esta posição, mas não o substitui. Cuidado com achismos, babywearing não substitui de maneira nenhuma a utilização de aparelhos ortopédicos em bebés diagnosticados com displasia da anca.
  • A bebéconfort tem um serviço de aluguer/empréstimo de uma cadeira específica para bebés com displasia da anca. Vejam mais aqui. Eu estou a tratar disto para ver se levanto a cadeira rapidamente.
  • Quando retirei a tala à Leonor reparei que ela esticava muito a perna esquerda (na qual não tem displasia) e a outra continuava dobrada, em posição de sapinho. Isto manteve-se sempre que tiro e durante o tempo todo. Segundo a ortopedista é normal e não se deve puxar a perninha dobrada.
Passam-nos mil coisas pela cabeça, que isto lhe vai atrasar o desenvolvimento, que ela vai andar torta…. É normal, tudo é normal e não adianta pensar nisso. Isto é preciso, vai funcionar, e vai passar rápido. Não nos estamos sempre a queixar que o tempo passa a voar? É porque passa.

Vão vos dizer, como me disseram a mim «isto não causa dor, causa só desconforto.». Amigos, ninguém fez um questionário a bebés de seis meses no qual eles responderam «Dor dor não é, é só aquele desconforto.». «Não causa dor» é comprimido de relaxamento para os pais. Eu não tomo. Aquilo tem de causar dor. Experimentem estar 24 horas por dia com as pernas alçadas como se estivessem a tentar morenar as virilhas e depois falem-me. Eu prefiro «deve doer-lhes no início, até se habituarem, mas antes esta dor que viver com displasia, antes esta dor que as da pós-cirurgia, antes esta dor, da qual ela não se vai lembrar, do que dor crónica em adulta.». Uma amiga disse-me «isto tem solução» e é isso que me guia. Pior são os problemas para os quais não há solução, este tem. É dolorosa para ela, para nós que a vemos pedir ajuda e não podemos fazer nada, mas tem solução e passa.

Já lhe tirei aquilo para dormir. Não é aconselhável, mas medi tudo e preferi tirar uma noite para todos descansarmos e ganharmos forças para nova luta. Dormimos 8 horas e recomeçámos. Não aconselho, não me aconselharam e os médicos dizem que é contraproducente porque ela pode habituar-se a «ganhar». Eu percebo, e não advogo aquilo que fiz, tenho consciência dos riscos, sei que é um passo atrás, mas às vezes também sei que é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente. De manhã, restabelecidas, recomeçámos. Digo-o porque acho preferível assumirmos do que negarmos um momento de fraqueza. Vou dizer à médica que o fiz (temos de dizer sempre a verdade) embora já saiba que me vai responder que não posso nunca desistir. Eu sei. O sucesso do tratamento depende da persistência, é essencial para evitar métodos invasivos. Eu sei. Mas também tenho alturas em que, ao contrário dos médicos, vejo o panorama geral, de uma casa com mais dois bebés que não dormem com o choro, com um marido que trabalha no Porto e faz duas horas e tal de viagem quase todos os dias, e de um bebé que precisa de comer e dormir para crescer (com a anca direita). Não tenho peso na consciência pelo que fiz, acho genuinamente que foi essencial para nós. Às vezes é preciso pensar nisto assim. Mas não pretendo repetir.

São 16 semanas, e uma já passou. Faltam 15. Vamos a isso, sou tão forte quanto os meus filhos precisam, tenho em mim toda a força do mundo.

(E quando não tenho, afasto-me, choro, grito e volto.).

19
Jun18

Eu, a Leonor e o checo

Ana Sousa Amorim

Os gémeos são um fenómeno giríssimo, capaz de arrancar suspiros em toda a gente, mas assim que entrei neste mundo soube que são um factor de risco para inúmeras coisas. Nunca valorizei e sempre achei que tudo ia correr bem, sem saber. E tudo correu bem, com uns pequenos percalços, uma prematuridade que não obrigou a mais do que 15 dias na UCIN, os meus meninos passaram pelos pingos da chuva. Mas partilhar o T0 da barriga da mãe obrigou a manobras de acrobacia dignas de filme. O Duarte estava transversal e por isso inspirou mais cuidados quando nasceu para ver se estava tudo bem com ele. Mas afinal foi a Leonor que ficou muito apertada e resultado disso tem dois problemas: displasia da anca e plagiocefalia (coisas que não são exclusivas das gravidezes gemelares, mas para as quais são factor de risco).

Da plagiocefalia sabemos desde os 2 meses. Tivemos recentemente uma consulta com um especialista e foi precisamente como preparação para a dita consulta que a semana passada fizemos uma eco às ancas, de rotina. Apesar de no exame físico (feito dezenas de vezes por médicos e pela fisioterapeuta) não se ter detectado nada, na eco lá apareceu, uma displasia da anca. Pouco depois fomos a uma consulta na ortopedia no hospital pediátrico e saímos de lá com o tratamento ditado e aplicado: tala de pavlik. Recebemos as indicações ainda meio sem saber o que nos estava a acontecer: a Leonor tem que a andar com a tala sempre, 24h por dia, com permissão para tirar 10 minutos para o banho 3 vezes por semana. Nos primeiros 3 dias não lhe podíamos tirar nem para tomar banho e tínhamos de aguentar que ela ia refilar, mas, a bem da adaptação, teríamos de ser fortes. Ovo apenas para viagens de carro (porque a segurança está primeiro), nada de espreguiçadeira, de carrinho, tentar que ela esteja sempre deitada de barriga para cima, ou ao colo. Proibidas calças, calções e collants. Andar na rua, sim, ao colo. O técnico que colocou a tala e nos disse isto e comentou que entre o pai e a mãe não teríamos que deixar de fazer nada até lhe dizermos que temos mais dois filhos.

O Pedro saiu esse mesmo dia para fora, em trabalho. A antever uma noite má, pedi aos meus pais e sogra para ficarem com os miúdos e fiquei eu, a Leonor e o pavlik (o checo) naquela que foi seguramente das piores noites da minha vida. Ela chorou a noite toda, e não como é habitual,  aquela rabugice suportável de bebé, mas um choro absolutamente desesperado. Adormecia dez minutos ao meu colo e recomeçava. O desespero total. Passar uma noite em branco não é dramático, nem é propriamente novidade para mim, com três bebés, mas aquele tipo de tortura deixou-me de rastos. Na noite seguinte, o mesmo. Na seguinte, ainda sem marido em casa, com os miúdos e a minha mãe em casa para me ajudar, já farta de tudo isto, pu-la a dormir na espreguiçadeira. Ela precisava de descansar e eu também. Funcionou, ela dormiu quase 10 horas seguidas, tal era o cansaço. No terceiro dia tirámos aquilo para o banho e ela riu-se de novo e eu chorei de felicidade. Logo depois tivemos de colocar aquilo e recomeçou o mal-estar.

Agora não chora tão desesperadamente como no primeiro e segundo dia, mas não dorme mais de 20 minutos seguidos, está sempre a acordar e a choramingar. É desesperante e muito difícil de suportar quando se tem mais dois filhos para tratar e prazos a cair. Começou a comer pior, deixa sempre metade do biberão.

Os gémeos dormiam muito bem. Eu não gosto de publicitar isto, porque sempre que falo eles começam com uma má fase, mas a verdade é que dormiam da meia-noite às seis a maioria das noites, quando não conseguíamos que aguentassem mais. E durante o dia as sestas também eram fáceis, com mais ou menos trabalho, nenhum deles adormecia ao colo e ficavam bem na cama.

A alcofa do carrinho deles estava arrumada a um canto e basicamente só quando saíamos à rua é que a usávamos. No meio do caos, fui obrigada a pensar em soluções e só me lembrei de a colocar na alcofa do carro pois sempre a podia abanar. O problema é que ela não cabe lá nesta sua nova forma frango assado. Já estava a ponderar cortar a alcofa (para verem o meu desespero) quando a minha mãe me ajudou a tirar as molas e colocá-la lá com isto aberto.

Já li muito sobre a displasia e só espero que este tratamento funcione, temos medo que não dê certo e que este suplício seja em vão. Espero que a Leonor se adapte, mas já lá vão uns dias e pelo menos eu não me consigo adaptar a esta tortura dela acordar de 20 em 20 minutos e de a ter de adormecer no carrinho ou ao colo.

12
Jan18

Ler no pós-parto: 10 conselhos de mim para mim

Ana Sousa Amorim
10 conselhos que escrevi para mim mesma para este pós-parto com base na experiência do outro:1- Cuidado com golas altas e camisolas subidas que não sejam pretas. O mamaçal pós-parto não te favorece, há que saber disfarçá-lo.2- Não fujas da balança, por favor. Quanto mais cedo lidares com a verdade, melhor.3- Atenta neste que é importante: quanto te disserem que estás mais magra, não estão a dizer que estás magra. Não estás magra, simplesmente estás mais magra. O termo de comparação é o bisonte que estavas quando estavas grávida, recorda-te disso. Cuidado com mini-saias, tudo o que seja justo, leggings e afins.4- O brilho que as pessoas dizem que tens é o amor... que as pessoas têm por ti. Brilho? Nop, não te deslumbres com esses elogios amigos.5- As fotos que vais ver para te consolar são enganadoras, recorda-te que te pintaste, que escolheste o teu melhor ângulo e que foram tiradas pela tua irmã com a sua mega máquina. Experimenta lá tirar uma selfie quando abres a câmara no modo selfie sem querer e admira isso.6- Não poderes fazer esforços na cicatriz durante 6 meses não é desculpa para não fazer nada. Ioga, exercícios de braços, caminhar não estão proibidos, nem tentes convencer alguém que estão que a malta cheira-te a preguicite a léguas. Ah, estender a roupa não é exercício, não.7- Estar a dar de mamar não é desculpa para enfardar tudo. Não, não é. Esquece os crepes e scones da João, as queijadas da Tigena, os croissants de todo o lado e a toda a hora. Controla-te. E esquece o encomendar comida. Não te apetece peixe? Temos pena. Apetece-te andar de fato de banho para sempre? Pensa nisso.8- Descansa. Esquece a Netflix, larga o Whatsapp, e deixa a porra da roupa - nunca foste grande dona de casa, que é que te deu agora? Descansa sempre e quando puderes. Descanso é essencial e dá bom aspecto (mas não te esqueças que essas olheiras já não desaparecem, são crónicas, são a tattoo da maternidade).9- Não compres roupa para "quando recuperares o peso", isso é estúpido.10- Nas fotos, põe um dos miúdos sempre, sempre à frente da barriga. Sempre. Esquece o inspirar com força, isso funcionava antes, agora já não dá.

[Quantas estou a tomar em consideração? Err... Nenhuma. Reincidente no falhanço pós-parto.]

10
Jan18

Sair os cinco

Ana Sousa Amorim

No fim-de-semana decidimos sair os cinco. Os nossos amigos iam comemorar o Dia de Reis com um almoço e nós decidimos aparecer depois de almoço para mostrar os gémeos e conviver um pouco.

A única saída que havíamos feito sem ser para consultas tinha sido para casa da minha sogra para almoçar no dia de ano novo, mas aí os meus pais encarregaram-se de levar o mais velho por isso não sentimos verdadeiramente o caos da saída a cinco.

Como estamos a aguardar a chegada do novo carro, um que comporte toda a nossa família, temos que sair em dois carros. Esse é logo o primeiro problema. Depois é toda a logística envolvida.

Estivemos 2 horas fora, adorei estar com amigos, mas senti que foi uma verdadeira ida ao ginásio e foram duas horas que voaram, mas ao mesmo tempo pareceram muitas mais.

- Pedro sai de casa com o Gonçalo ao colo, põe-no na cadeira no carro dele e vai para o restaurante.

- Eu saio com os gémeos. Chego à garagem, puxo o carro à frente para ter espaço pôr os ovos e guardar o carrinho. Tirar ovo, pôr ovo no carro. Tirar ovo, pôr ovo no carro. Tirar apliques dos ovos do carrinho. Fechar o carrinho. Pôr o carrinho na mala. Arrancar.

- Chegada ao restaurante. Ele estaciona e traz o Gonçalo ao colo. Eu paro em frente ao restaurante para descarregar. Ele passa-me o Gonçalo para o colo [nota: o puto tem 12kg, já custa] e fico com os gémeos no carrinho. Peço ajuda para levar os ovos e carrinho para o andar de cima do restaurante. Ele vai estacionar o meu carro.

- Olá geral. Abraços. Matar saudades. Passo o Gonçalo à Tia Patrícia para poder colocar os apliques dos ovos no carrinho e os ovos no carrinho. Conversa. Tentar impedir o Gonçalo de se matar. Conversa. Tentar impedir o Gonçalo de partir o restaurante. Conversa. Dar um olho aos gémeos. Já passou meia-hora, fónix, como é que já passou meia hora e eu ainda nem cumprimentei toda a gente. Conversa. Tentar impedir o Gonçalo de matar alguém. Conversa. Olha boa, uma hora, não tarda temos o coro dos pequenos cantores com fome. Conversa. Perceber porque é que o Gonçalo chora. Conversa. Trocar olhares com o Pedro. Já não dá. Vamos. Despedir-nos. Tentar impedir o Gonçalo de se matar. Despedir-nos. Pedir ajuda para levar o carrinho para baixo. Ir para o carro. Tirar ovo, pôr ovo no carro. Tirar ovo, pôr ovo no carro. Tirar apliques dos ovos do carrinho. Fechar o carrinho. Pôr o carrinho na mala. Arrancar.

- Chegada a casa. Tirar o carrinho do carro, pôr apliques dos ovos, pôr ovo, pôr ovo. Estacionar o carro. Subir.

 

Então foi giro?
Adorei. Vamos já repetir em 2019.
 

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