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Três antes dos Trinta

23
Nov18

Ir à casa de banho sozinha

Ana Sousa Amorim

Ora eu avisei que tinha rubricas pensadas e até avancei com uma, mas depois fui atropelada pela vida e coisa foi ficando em standby. Como sou uma pessoa optimista por natureza, vou retomar a ideia, correndo o risco de fazer mais uma estreia de uma série só de um episódio. Hoje apresento a «Coisas que eu dizia que nunca faria quando fosse mãe e agora pumba» que em princípio sai às sextas-feiras, mas na volta não só para dar aquele gostinho de suspense. Agradeço as sugestões que me fizeram e maioria são coisas que já tinha pensado em incluir nesta rubrica, mas a estreia é com um que ninguém mencionou, mas que sei que faz sofrer muita mãe: Não conseguir ir à casa de banho sozinha. Há anos que vejo pessoas comentar que os filhos até para a casa de banho as seguem e se há regra que defini com clareza antes de ser mãe foi essa: casa de banho é o meu limite, não vão atrás de mim, prendo-os onde tiver de prender, não quero saber. Depois sucedeu algo que determinou que a minha vontade tinha validade: o meu filho mais velho aprendeu a abrir portas e sempre que se apanhava no parque arranjava maneira de afiambrar nos irmãos. Vai daí, certo dia sou uma pessoa que vai à casa de banho sozinha e no dia seguinte estou na casa de banho com o meu filho empoleirado em mim a ameaçar chorar se não o deixar ficar e eu, sensível às consequências do arraial cigano que ele monta (que passam essencialmente por acordar os irmãos) deixei e lixei-me porque a memória dos miúdos só é uma merda para as coisas que lhes dão jeito, para as que me facilitam a vida é melhor do que um computador. Agora acha que eu fechar a porta da casa de banho é um convite. E ele pouco fala, mas diz com perfeição cocó e opta por dizê-lo cinquenta e três vezes à porta da casa de banho enquanto suplica que eu tire o pé e o deixe entrar como se fosse imperdível o que se vai passar lá dentro. Não contente com a sua mera presença que incomoda por demais, o meu descendente ainda aproveita para fazer asneiras como enfiar-se no poliban, retirar todo o conteúdo do armário da casa banho, surripiar artigos caros de cosmética e enfiá-los pelo ralo do bidé no teste duro aos limites do amor materno. Eu só queria ir à casa de banho, tratar do meu negócio enquanto lambo o Instagram em paz, sozinha, e achava que era uma questão de organização e paguei pelas palavras e promessas feitas na inocência de quem não conhece a montanha russa da maternidade. Por isso sim, disse nunca e agora pumba.

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