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Três antes dos Trinta

28
Out18

Contra caixas

Ana Sousa Amorim

Eu sou contra as caixas. Não as caixas mesmo, aliás, nessas sou viciada, tenho caixas e caixinhas para todos os tamanhos, mas contra as metafóricas, as das categorias que pomos em toda a gente, em especial nas mães. E vou andando descontraída sem me meter uma etiqueta, mas toda a gente me atribuí uma, como se eu não as tivesse todas dentro de mim. Se digo que sou mãe, acham que entendo a maternidade como paragem obrigatória da felicidade. Se digo que os meus filhos ainda não estão no jardim de infância, acham que sou contra a creche. Se digo que eles estão em casa comigo, acham que deixei de trabalhar e sou toda jogos didáticos e pedagogias com nomes difíceis. Se digo que o meu filho já anda na creche, é porque afinal sou como as outras que é capaz de o deixar com estranhos. Se pinto as unhas, é porque acho as outras mães que não se arranjam desleixadas. Se mostro que estou de pijama, é porque não gosto de moda. Se digo que dei de mamar, sou contra as que dão biberão. E se digo que dou biberão, sou contra a amamentação. Se digo que eles dormem na minha cama é porque sou contra dormirem longe dos pais. Se digo que eles foram dormir para o quarto deles aos quatro meses, sou contra o co-sleeping. Se digo asneiras, não sou uma mãe fofa. Se os encho de mimos e digo que eles são a coisa mais linda da minha vida, sou delicodoce. Se não dou açúcar aos meus filhos, sou extremista. Se não dou produtos biológicos e papas de aveia, sou das que enveneno os miúdos. Se ponho de castigo, não sou educadora. Se grito, não sou positiva. Se tenho calma, não sou real. Se choro é porque estou deprimida. Se rio é porque devo dormir bem. Se os visto à beto, sou demasiado chique. Se andam sempre de pijama, sou parola. Se tenho empregada, sou batoteira. Se faço tudo sozinha, sou corajosa e doida. Se viajo sem filhos, sou insensível. Se viajo com eles, devo ser mártir. Se gasto dinheiro, é porque sou rica. Se sou poupada, sou forreta.

Badarmerda para as etiquetas. Eu sou tudo e não sou nada. Que tipo de mãe és? Sou todas, sou cada uma delas, em cada dia diferente ou em todos a toda hora. Adoro caixas, mas não estou dentro de nenhuma.

 

22
Out18

Os pais dos outros

Ana Sousa Amorim

Antes de ser mãe via o mundo a preto e branco. Birras no shopping? Má educação. Comer a ver vídeos no tablet? Inadmissível. Pais a ceder? Maus pais.

Depois fui mãe e apercebi-me que isto é lixado. A vida não é ideal. Idealmente eu tinha todo o tempo do mundo para estar com os meus filhos. E tinha também disponibilidade. Tempo e disponibilidade não são a mesma coisa. Às vezes tenho tempo, mas não tenho disponibilidade. Estou cansada do trabalho, das outras obrigações e estou carente de tempo para mim ou de descansar, de me distrair, de passear, de ler ou de ver séries. Não é por ter sido mãe que todas essas minhas necessidades deixaram de existir. Simplesmente deixaram de ser prioridade. É muito bonito dizer que temos de continuar a tratar de nós, arranjarmo-nos, sair, ir ao cinema, mas também é preciso que haja tempo, dinheiro e quem fique com as crianças e às vezes não há nada disso. Por isso há que ter prioridades e eles são a prioridade. Portanto, como dizia, quando tenho tempo, às vezes não tenho disponibilidade. E isso significa que faço tudo a correr. E significa que prefiro que vejam televisão para poder cozinhar mais rapidamente. E significa que se fizerem uma birra por um brinquedo eu dou para se calarem. E significa que o banho é rápido. E significa que o jantar tem de entrar. Não é sempre, mas às vezes. Muitas vezes, mais do que as que gostava, ou melhor, mais do que as que imaginava que ia gostar.

Os miúdos têm uma brutal inteligência emocional. Conhecem muito bem os seus cuidadores e dependem da atenção deles. Sabem como a conseguir, a bem ou a mal. E por isso, quando estou cansada, farta, ocupada, com trabalho por fazer e a coisa entra em modo automático, eles percebem e utilizam isso. Como? Com birras. E sim, eu, muitas vezes, cedo. Porquê? Porque não sou um robot, preciso de descanso, preciso que as coisas aconteçam e prezo silêncio. Claro que contrario os meus filhos — é impossível conviver com eles sem os contrariar — mas não acho que a base da educação seja essa.

Muitos dizem que os miúdos estão mal-educados, não têm pais que lhes dêem limites, não conhecem o não, não sabem como lidar com a frustração, etc. E eu concordo. Mas estou cansada desta sobranceria com que determinados pais falam de situações que vêem na rua e extrapolam para a regra. E estou cansada da falta de empatia entre pais. As pessoas que não têm filhos têm a distância típica da falta de conhecimento, que eu percebo porque também já fui assim. Mas a crítica constante dos pares deixa-me irritada.

Ao contrário dos maridos das outras, que são sempre o pináculo da criação, os pais dos outros são sempre uma merda. São permissivos, deixam fazer tudo, não têm tempo para os filhos, são autoritários, são desligados, são desleixados, são frios e são sempre, sempre a causa do mau comportamento  dos filhos.

A verdade é que estou constantemente a levar com quilos de informação que me quer obrigar a concluir pelo meu falhanço: todos os dias alguém partilha uma notícia que diz que um pediatra disse que os miúdos de hoje não serão os génios de amanhã porque são expostos a muita televisão e tablets, ou que não são capazes de lidar com a frustração porque têm muitos brinquedos, ou que não sabem brincar com outras crianças porque brincam com os pais ou que não gostam de exercício porque jogam muito computador, e por aí em diante. Esta obsessão com o questionar o que estamos a fazer com os miúdos esgota-me. Eu ando aqui a safar, não tenho grande tempo para me encostar a pensar nas consequências de determinadas coisas. Não sou maluca, tenho consciência que tipo de comportamentos favorecem o desenvolvimento da personalidade deles, mas sou humana e recorro a tudo o que posso para sobreviver. E às vezes ver televisão pode não ser o mais indicado, mas é o mais correcto porque é o que traz paz ao nosso lar e propicia a um ambiente calmo e saudável. E ceder a birras, que é globalmente considerado péssimo e olhado com desprezo, às vezes é importante para mim para poder fazer coisas incríveis como chichi.

Há dias fui passear com o Gonçalo e tudo correu bem até ele se passar porque eu não o deixei ir ao parque do centro comercial ao lado do qual passámos porque precisava de ir às compras. Ele fez uma birra indiscritível, não se calou por nada, eu fiquei nervosa, comecei logo a suar do buço, pus-lhe a chucha e ele jogou-a para o chão e tive de me afastar com ele a chorar. Ouvi um sibilante «que miúdo mal-educado» e também vi olhares de reprovação quando ele atirou a chucha ao chão de pessoas que estavam com miúdos no dito parque. A sorte vos impeça de ter filhos que façam isso, eu cá nunca me imaginei com um pequeno Hulk a arremessar tudo quanto lhe dou quando está com os azeites, e não, não é o que ele vê em casa que eu quando estou lixada digo asneiras, não atiro merdas pelo ar, por isso, por favor, sejam mais empáticos. Dias depois fomos lanchar e tudo correu bem até a comida chegar. Aí ele lembrou-se de que queria correr e chorou quando o impedi. Acabei com o choro dando-lhe o meu telemóvel para ele ver vídeos e fui novamente fulminada com o olhar por pessoas nas outras mesas. Não disseram nada, mas eu percebi que ter cedido à birra e ter-lhe dado o telemóvel foi o meu crime do dia. Eu só queria lanchar, tinha fome, mas pronto, basicamente fui pendurada numa cruz por estranhos por ter cedido a uma birra. Se o tivesse deixado chorar teria recebido tratamento igual.

Eu tenho três filhos e nos últimos meses na impossibilidade de me dedicar a buscas de perfeição e ter de ser apenas o Macgyver da maternidade, descobri-me relaxada, certa do que faço e não são os olhares de desconhecidos que me deitam abaixo, mas na impossibilidade de mandar as pessoas à merda na hora — a minha auto-terapia de agressividade impede-me — deixo aqui o meu manifesto. Os pais dos outros não são uma merda. Andamos todos ao mesmo e cuidado… ainda podes pagar pela língua. I know I did.

15
Out18

Perda gestacional

Ana Sousa Amorim

Antes de engravidar do meu filho mais velho, perdi um bebé. Hoje é o dia internacional da perda gestacional e estas coisas dos dias internacionais têm como objectivo sensibilizar para temáticas importantes e quebrar tabus, pelo que aproveito a deixa. Este é daqueles assuntos que todos reconhecem ser dolorosos e então fica remetido à surdina que não ajuda ninguém a curar.

Dar voz à minha história é explicar que acho que superei tudo bem. Não vos vou maçar com descrições dramáticas das vezes que chorei aquele bebé e o que senti quando depois tive o meu bebé arco-íris (o que chamam a bebés que vêm após perdas) porque não é sobre o depois que vos quero falar, é sobre o durante e porque arco-íris não é o meu estilo.

Passei por isso e passou. Mas doeu. Muito. Estava grávida de 9 semanas e já tinha partilhado a notícia com a família e amigos. Contei essencialmente porque me apeteceu e porque não percebia o porquê de esperar para partilhar. Ainda não percebo, todos os que souberam foram-me essenciais.

Tive uma hemorragia, fui para a maternidade, fizeram uma ecografia, não detectaram batimento cardíaco, mas explicaram-me que o ecógrafo das urgências não era o melhor para gestações ainda tão curtas e mandaram-me para casa esperar, pois podia estar a abortar, mas também não. Que voltasse daí a cinco dias ou se me sentisse mal, disseram. Vim absorta, não quis acreditar e tive esperança de que tudo estivesse bem. Voltei à maternidade passados três dias, farta de esperar. Encaminharam-me para o piso das ecografias e depois de entrar numa sala escura, de ter cumprimentado o médico e não ter obtido resposta, deitei-me numa marquesa e ouvi a sentença após segundos de análise: «esta gravidez foi interrompida». O quê? Interrompida? Por quem? O médico disse só que o feto não tinha batimento cardíaco e mandou-me sair. Até hoje não percebo a malvadez desta falta de tacto, não aceito que lidem assim com uma pessoa num dos seus piores momentos. [Fiz queixa deste médico, infelizmente não chegou a lado nenhum porque o médico faleceu meses depois.]

Fui então encaminhada de volta para as urgências onde me falaram melhor, explicaram o que se passaria a seguir, mas onde também ninguém quis perder muito tempo por não saber o que dizer. Eu fiquei demasiado presa à quantidade infinita de vezes que diziam que eu tinha abortado — as palavras são só palavras e às vezes não querem dizer nada, mas quando se está numa sala fria a saber que a vida que criámos dentro de nós estava finda, as palavras interessam e gostava que alguém se tivesse abstido de repetir aquilo vezes sem fim porque eu não fiz nada, simplesmente aconteceu. Num segundo tinha um projecto, no seguinte não. Num segundo era mãe, noutro não. Num segundo planeava onde pôr um berço, no seguinte contorcia-me de dores com as contracções ao lado do sítio escolhido.

Acho que falta formação aos técnicos para saberem lidar com estas situações. Posso ter tido azar e ter lidado com as pessoas erradas, mas pareceu-me mais ser o assunto errado. É preciso tratar o assunto com a importância que tem e não o desvalorizar sobre pena de aumentar o sofrimento de quem por lá passa em vez de o minimizar.

Odiei o tabu, o não se falar sobre isso, odiei passarem-me a mão no braço e ouvir que é muito comum, ainda és nova, vais ver que engravidas logo, depois nem te lembras. Eu prometia não esquecer e não queria pensar em engravidar de novo, nem sequer deixar de pensar no que tinha acontecido, queria falar sobre isso, explicar pelo que passei e ultrapassar. Evitar não deixa curar.

Todos me diziam que era comum, mas não é assim tão comum falar sobre isso. Na altura senti-me sozinha.

Passa, mas não se esquece.

A quem está a viver isso: sim, acontece com frequência. Não estás sozinha. É tabu, mas não devia ser.

Ah e não, não foi nada que fizeste.

09
Out18

Maria Bitaites Internautas

Ana Sousa Amorim

Depois de ter feito o post das Marias Bitaites - Edição Gémeos, muitos me pediram para fazer a versão reunião de pais e grupos de mães no Facebook. Pronto, foram só duas pessoas, mas foram duas pessoas de quem eu gosto muito, por isso valem por muitas, certo? Ora, de reuniões de pais não percebo. Não estou especialmente entusiasmada com essa fase da vida, acho que vou ter muito material, mas a verdade é que para já vivo na ignorância.Já relativamente a grupos de mães no Facebook………… Eu boto o olho em tudo e raramente comento algo, a maioria das vezes simplesmente remeto-me ao silêncio gozador. Mas que já vi cenários de horror, já. E por isso aceitei o repto.Aqui estão então as Maria Bitaites Internautas:

| A incendiária«Mamãs, eu sei que nem tem a ver com o tema do grupo, mas deixem-me lá dizer que não percebo esta nova obsessão com a alimentação e a proibição do açúcar. É que com os meus dou tudo com peso e medida e vejo gente de forma gratuita a insultar pessoas só porque uma vez por outra dão um doce aos filhos. Não estou a tentar criar uma guerra, a sério. Eu só queria deixar a minha opinião sobre isto. Não vejo mesmo qual é problema, acho que é um pouco desequilibrado.»Eu quando não quero guerras também vou a um grupo com 7000 desconhecidas mães meter a mão num tema perfeitamente polarizador e insultar um dos lados! Precisas de um pouco de putedo na tua manhã e ficaste sem box na TV por isso não dá para pôr no Quintino Aires, não é?

| A juiz com o martelo«Mães, tenho visto recentemente muitas guerrinhas sobre alguns temas. Devo recordar que consta das regras do grupo que devemos respeitar-nos umas às outras. Vamos lembrar-nos por favor que estamos aqui para sabermos como melhor alimentar/adormecer/transportar os nossos tesouros.»Oh, honey…. Ninguém está aqui só para isso.

| A bully que gosta de dizer que quer ajudar«Pois, mas há muitas mães a quem aconteceu isso e mesmo assim depois conseguiram, eu incluída. Nunca pensei em desistir porque sabia que era o melhor para o meu filho e deve só ser isso que nos motiva. Acho que não deve desistir, uma boa mãe tenta tudo pelo filho.»Pronto, agora só tens de fazer cara de emoji surpreendido quando descobrires que o teu filho anda a amassar putos no colégio para lhe darem dinheiro.

| A que se esquece que a pessoa que publicou o post consegue ler os comentáriosMãe pergunta como se faz uma papa Nestum. Primeiro comentário: «a sério que não percebo como é que estas mães ainda dão Nestum aos miúdos».I'm right here, bitch. Right here.

| A beligerante disfarçada de Gandhi«Mamãs, estes grupos agora servem só para criar guerras. Ninguém ajuda, ninguém quer trocar dicas, só atacarem-se umas às outras. Tenho saudades dos tempos anteriores. E pronto, era só isto, podem começar a mandar pedras em 1,2,3 …»Então, mas se não queres guerras…. Porque não ficar calada? Ah já sei, ensinaram esta técnica nos bombistas anónimos? Manda a bomba, mas a dizer que não concordas com bombas para caírem que nem patas? Boa!

| A que não partilha a cara dos filhos no perfil, mas partilha num grupo com 3000 desconhecidos porque «Segurança»«Olhem o meu bebé lindo. 6 semanas hoje.»Conheces a Maria Antónia de Baixa da Banheira? Não? Então porque é que partilhaste a foto do teu filho com ela e não com os teus 123 amigos?

| A que abre o livro todo«O meu marido não quer ter sexo comigo. Diz que depois do parto nunca mais conseguiu olhar para minha coisinha da mesmo forma.»Baaaaaaaby, esta não é a mulher do Zé António?

| A que está na fase dos porquês«Amanhã não há aulas porque é feriado, o meu filho perguntou-me que feriado é e eu não sei, alguém sabe dizer?»Google, sua totó. Google.

| A que tem a televisão estragada«Amamentar: sim ou não?»BUUUUUUUUUUUUM. WW3

| A professora«Já viram este post desta blogger conhecida? Ela está a usar um pano não homologado pelas mães dos panos, acham normal? Mas ninguém lhes dá informação? Fui lá explicar como é que se faz, para ensinar.»Ó setôra!!!!!!!!!!!!!

| A que gosta de passar a mão pelo pêlo ou não«Mamãs que tudo sabem, …»Isto é suposto ser um elogio («ah e tal tenho visto e vocês sabem tudo») ou boca foleira («hey, ó manientas que têm a mania que sabem tudo»)? Nunca cheguei a perceber. [beijo, Mafalda, obrigada por esta]

| A que acha que está a ligar para o 112«Mamãs ajudem-me, por favor, o meu filho está a cuspir sangue, faço o quê?»VAI PARA AS URGÊNCIAS, CARALHO!

| A tilófóbica«Mamas o meu filho não mama há 3 dias como acham que estão as minha mamas mamas?Apresento-te o til (~). Não o temas, ele é amigo. Mamãs - nome carinhoso para mãe. Mamas - seios. Vês como esta onda querida ajuda tanto? Faz o bem, usa o til. Quando passares na aula «Til», ensino-te a colocar vírgulas.

04
Out18

No is no

Ana Sousa Amorim

Aqui há uns anos, quando o Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos li uns artigos sobre racismo na América e lembro-me de pensar «não, nós não somos assim racistas». Em conversa com alguém muito tempo depois apercebi-me da dura realidade: somos igualmente racistas, simplesmente nos EUA fala-se disso, aqui não. Quando o Trump foi eleito apesar de existirem gravações dele a dizer que apalpava as mulheres pela rata (entre outros episódios), eu pensei «nós, não somos assim misóginos, machistas». Estão a ver onde é que vai dar, não estão? Nós últimos dias, a propósito da questão da acusação de violação do Ronaldo, ver a propagação de comentários «é, achava que ia beber chá para o quarto», «ó Ronaldo, usavas vaselina para não fazer dói-dói», «acabou-se o dinheiro e agora quer mais», muitas vezes de mulheres e muitas vezes acompanhados de demonstrações claras de nem terem procurado saber os contornos do caso, é desanimador e faz-me concluir que sim, somos. Aquando de decisões como as do acórdão da «sedução mútua» nunca falta quem os censure munido de argumentos como «eu tenho uma filha e não é este mundo que quero para ela» como se fosse preciso ser-se mulher, ter filha, mãe ou namorada para se ser feminista e como se o futuro que deixamos aos filhos fosse o único móbil para defender um mundo melhor para hoje. Hoje uso eu esse argumento: é isto que querem ensinar às nossas filhas? Se subires ao quarto, é porque tens de dormir com ele, quer queiras quer não! Se usares decotes, já sabes que os homens se podem usar do teu corpo. Se gostares de sexo, tens de gostar de tudo. Se disseres que sim, não podes mudar de ideias, não vale de nada dizer não. É assim? E é isto que queremos ensinar aos nossos filhos? Se ela aceitar ir contigo para o quarto, podes servir-te do corpo dela como quiseres. Se ela aceitar ir jantar, já sabes que está no papo e podes ser violento para o concretizar. Se ela disser sim a um beijo, considera-a disponível para tudo. Se ela estiver de decote, é porque quer que a comas. É assim?Não sou daquelas pessoas que defende que o mundo está cada vez pior. Continuo a defender que o mundo em que os meus filhos nasceram é incomensuravelmente melhor do que aquele em que eu nasci: o desenvolvimento, o progresso da tecnologia ao serviço da nossa saúde, locomoção, felicidade, a quebra de barreiras importantes, a conquista de liberdades e a defesa dos direitos civis nos países desenvolvidos melhoraram o mundo nestes últimos 30 anos. No entanto, ao ver estas reacções lembro-me que ainda falta muito.

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