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Três antes dos Trinta

01
Jun18

01.06

Ana Sousa Amorim

Hoje fazemos 5 anos de casados e 11 de namoro. A semana passada falámos em divórcio. Já viste, tínhamos guarda partilhada, tu uma semana, eu outra! Sim, passávamos uma semana de cão com eles sozinhos, mas depois a outra... Ver séries à noite, filmes, ir ao cinema... Mas depois as nossas séries, tinha que ver sem ti? E jantar, pedia pizza para um? Falámos de divórcio mas esquecemo-nos que tínhamos que estar separados. Separados não, sempre juntos.

Passar da sintonia de 2 a pais de 3 em 2 anos, não é fácil. Precisamos de férias. Deles, não um do outro. Não imaginava fazer isto tudo sozinha, nem com outra pessoa. Nós, sempre juntos. Não sou a miúda com quem começou a namorar, nem a mulher com quem casou. Às vezes sou só cansaço, sou só sono. E refilo, e respondo mal, e queixo-me, mas estamos sempre juntos, ele sempre ao meu lado, nunca contra mim.

Desde que fomos passar o fim-de-semana fora que não dormimos uma noite inteira juntos. Umas horas com os gémeos, um vai ao Gonçalo, o outro aos gémeos, e ora troca, e agora tu, agora deixa vou lá eu, e passam-se dias e semanas em que falamos de uma divisão para a outra e comentamos coisas com trinta interrupções. Mas ele abraça-me quando nos encontramos na cama e faz-me ter ataques de riso quando preparamos os biberões do gémeos à noite. Costumam elogiar-me o sentido de humor para lidar com este caos, mas não sabem que isso é uma cena nossa. Antes de ser um blogue, é uma conversa de whatsapp em que mandamos vir com a vida e nos rimos das nossas tretas ou simplesmente provocamos uma oportunidade de pôr aquele GIF. Não há dia nenhum desde que estamos juntos em que não me tenha feito rir, mesmo os em que me fez chorar, quase sempre me fez rir, até as nossas discussões têm piadas. Há piadas só nossas porque só nós as percebemos e outras que são só nossas porque se forem do mundo temos a CPCJ amanhã de manhã à porta.

Há 11 anos, quando o conheci na queima das fitas, levava o grão na asa e arrastei-a para ele, mas não fazia ideia de que ele seria o pai dos meus três filhos. Tão-pouco agora sei se daqui a outros 11 estaremos juntos. Ninguém sabe. Mas suspeito que sim. Sempre juntos.

O ano passado fizemos 10 anos de namoro. Fiz-lhe uma surpresa que envolveu andar pela cidade a apanhar cartas que lhe escrevi e deixei em locais que nos faziam sentido. Ele disse-me que achava que última ia terminar com «e agora vamos ser quatro». Eu ri-me e disse-lhe que no dia seguinte compraríamos um teste de gravidez para ele parar de dizer que eu estava grávida. Tinha-lhe escrito «ainda agora começámos», mas não fazia ideia de que sim estava grávida e que o teste que comprámos foi das poucas vezes que não tinha razão. Não sabia que íamos ser mais, nem sabia que nunca chegaríamos a ser quatro, que 5 era afinal o nosso número. Hoje fazemos 5 anos de casados. Venham mais 5, a 5, mas sempre a dois, juntos. Ainda agora começámos.

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